7 de abril de 2011

Namoro no trabalho - Prós e contras

Um bate-papo sem segundas intenções na empresa, uma pausa para um cafezinho juntos, que pode ser estendido para um encontro no final de semana, são caminhos iniciais que podem culminar em namoro e até em casamento. Essa situação não é tão incomum. A cada dia aumenta o número de paqueras e namoros entre colegas de trabalho. Uma pesquisa realizada pela sexóloga americana Shere Hite (Sexo e Negócios, Bertrand Brasil) com 790 profissionais americanos e europeus revelou que sete, em cada dez homens, e seis, em cada dez mulheres, já tiveram algum envolvimento com alguém da mesma firma. É muito provável que esse fenômeno se repita no Brasil: a crescente participação da mulher no mercado de trabalho e a necessidade de passar mais tempo em um ambiente corporativo são fatores que têm contribuído para que os laços de amizade no âmbito profissional se transformem em relacionamentos amorosos. Outro fator que também deve ser levado em consideração é o fato de as pessoas se relacionarem cada vez menos com a família e os amigos.
“Essa proximidade permite que as pessoas vivam dentro das empresas suas alegrias, vitórias, derrotas, decepções e, nessas horas, quem está ali, sempre à mão, é o colega. Com o tempo, passa a ser natural vê-lo com outros olhos que não sejam apenas os profissionais”, argumentou Marshal Raffa, gerente executivo da consultoria RH, que possui filiais em todo o Brasil.
Assumir um relacionamento dentro da empresa nem sempre é fácil. A saída, segundo o consultor, é abrir o jogo com o chefe para evitar comentários maldosos pelos corredores. “É preciso manter uma boa imagem e um comportamento adequado. Isso não implica que o casal não deva se relacionar. Ele não deve é ficar com intimidades na frente dos demais funcionários. O trabalho não é um lugar sagrado, mas merece respeito”, afirma.

Alex Sandro e Milena: um ano para conquistar o coração dela. Com o apoio da empresa onde trabalham, veio o casamento
O engenheiro Emerson Fernando de Oliveira e Raquel Mainenti se conheceram durante uma reunião de integração de setor. O namoro, que começou em uma multinacional, terminou no altar. O casal espera a primeira filha para dezembro deste ano. “O fato de termos que nos ver quase que diariamente nos aproximou. Como assumimos logo, os comentários foram favoráveis ao namoro”, conta Oliveira.
Para a gerente de vendas do Grupo MK de Comunicação, Milena da Cunha, casada há dois anos com o chefe de crédito e cobrança Alex Sandro Pinho, também da MK, a maturidade é essencial para que marido e mulher vivam em harmonia no ambiente de trabalho. Alex conheceu Milena quando estava há cinco anos na empresa, onde ela ingressou como recepcionista. Durante um ano, ele cortejou a moça com bilhetes e bombons. Corações conquistados, o namoro durou quase cinco anos, culminando em casamento. Nesse tempo, Milena galgou melhor cargo e hoje os dois vivenciam a relação trabalho e afetividade dentro do mesmo espaço profissional e fazem questão que Jesus seja a coluna principal do relacionamento. Alex aproveita para deixar um conselho para quem está namorando ou pensa em namorar um(a) colega de trabalho: “Se for com a intenção de investir num casamento, vá em frente. Do contrário, nem comece a namorar. Não vale a pena o desgaste”. Diferente de outras empresas que proíbem o relacionamento afetivo entre funcionários, o namoro entre Alex e Milena teve o incentivo da vice-presidente do Grupo MK, Cristina Xisto, que foi madrinha de casamento dos funcionários.

Mas nem sempre o relacionamento no ambiente corporativo tem um final feliz. Antônia (nome fictício) começou a namorar João quando trabalhavam juntos. Durante um período, conta ela, a relação foi legal e os dois chegaram a conhecer a família um do outro. No entanto, João conheceu uma outra pessoa na mesma empresa e separou-se de Antônia. “Sofri muito porque sabia que iria ver os dois juntos. Cheguei a pensar em pedir as contas. Foi uma experiência horrível”, recorda a moça.
Outras empresas não toleram que funcionários se relacionem. “Essa proibição acontece, sim, mas é um assunto bastante velado no ambiente corporativo. Acho que atitudes como essas só mascaram algo que é impossível de controlar: o sentimento dos funcionários”, avalia Raffa. A desobediência à regra pode levar à demissão. “Quando contratamos, avisamos que é proibido o namoro. Se pegamos funcionários descumprindo a determinação, demitimos um dos dois”, disse uma gerente de Recursos Humanos de uma empresa de alimentação que não quis se identificar.

O namoro que começou em uma multinacional terminou no altar. O casal Emerson e Raquel espera a primeira filha para dezembro deste ano
Que os relacionamentos amorosos entre colegas de trabalho têm aumentado de maneira expressiva não é novidade. O que está crescendo de maneira assustadora são os casos extraconjugais, conforme avalia o professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ailton Amélio da Silva. “Prova disso é que hoje o tempo de vida de um casamento é de 11 anos”, atesta o especialista que acaba de lançar o livro Para Viver um Grande Amor (Editora Gente).
O professor relata que tanto homem quanto mulher, mesmo casados e com uma vida profissional estabilizada, ainda sentem carência, atração e, muitas vezes, buscam novidade. Segundo ele, 37% dos namoros surgem entre pessoas que mantêm uma convivência freqüente – e aí o ambiente corporativo aparece como o cenário perfeito.
Para o psicólogo Jailton Menegatti, a infidelidade é reflexo do enfraquecimento da instituição casamento. “As pessoas acham que, por serem mulheres ou homens de Deus, estão vacinadas contra uma paixão por uma terceira pessoa. A realidade é outra”, ressalta. A saída, segundo ele, é não encarar o casamento como um emprego fixo garantido. “Já conquistei o que precisava, não preciso fazer mais nada. Os dois discutem apenas coisas nem sempre prazerosas (educação dos filhos, finanças etc). Mas o segredo é tomar atitudes preventivas: manter o namoro, ficar bonito um para o outro. São cuidados diários que fortalecem a união”, ressalta. O pastor Marcelo Gualberto afirma que o remédio contra o adultério é a fidelidade. “Não há outra receita”, reforça.

DICAS PARA UM RELACIONAMENTO SAUDÁVEL EM UM AMBIENTE CORPORATIVO

• Informe-se acerca da existência de uma política na empresa sobre relacionamento amoroso.

• Ao assumir um relacionamento dentro do local de trabalho, a primeira pessoa que deve saber é o chefe.

• Mantenha sempre a produtividade no trabalho. Se puder, aumente.

• Não exponha o relacionamento trocando beijos, abraços e intimidades dentro da empresa.

• Não deixe de se comportar de forma ética.

• Não passe ao parceiro informações estratégicas que devem ficar restritas à sua área.

Por: Rose Guglielminetti
Fonte: www.revistaenfoque.com.br

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